quarta-feira, 13 de março de 2013

Onde mora a beleza?

Olha-se no espelho e franze o cenho perante a sua imagem reflectida.
Não é feia, mas não é bonita, nem tão pouco. Alisa a ruga que se formou entre as sobrancelhas, o olhar desce caindo no toucador, desalentado.
Não tinha noção... era no seu olhar triste que morava uma parte da sua beleza. 
No seu sorriso, quase inexistente, morava a outra. 
Não, não era bonita, era absolutamente bela. 
O seu olhar amendoado, lembrava o céu carregado de nuvens, tempestuoso. Os seus lábios de tão cheios, pareciam estar sempre a formar beicinho, o seu cabelo era comparado a seda, luminoso. 
Pequenas poças formam-se no sitio onde as lágrimas se desfaziam contra a madeira, fungando, levou a mão ao rosto enxugando as malditas, pareciam ter vida própria.
Amargurada, arranha as boxexas, marcando-se com pequenos vergões. Vergões de desamparo, de vergonha.
Não tinha noção... era no seu coração turbulento e desorientado que morava parte da sua fealdade.
Nas suas acções auto-destrutivas, morava a outra.



5 comentários:

Rafael disse...

Em resposta ao título deste texto, poderia deixar o link do meu blogue, mas dada a contenda entre nós, acho que não seria o mais apropriado. No entanto, posso garantir que aqui, é que a sacana não mora.

(Rafael - 2
Sufocada - 0)

Sufocada disse...

Rafael, é uma honra a sua presença aqui no blog da defunta. Mas se me permite, acaso nao queira que eu leia o seu blog com receio?! Nao sei, estou aqui a atirar peras ao ar.
E dou-lhe os parabéns pelo seu imaginário tão fértil, porque :
sufocada-2
rafael-0
Não sonhe...

Rafael disse...

Então mas eu venho aqui insulta-la de boa vontade e é assim que me trata?

Rafael disse...

Então mas eu venho aqui insulta-la de boa vontade e é assim que me trata?

Sufocada disse...

Eu também o tratei mal de boa vontade querido Rafael!
E quando é feito com boa vontade não há porque refilar.