sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Há tranquilidade na confusão...

Há um café aqui perto de casa, onde gosto de ler.
Agarro no livro que leio de momento, peço um café e fico lá horas. Já cheguei a ficar uma tarde inteira, a ler naquele café.

Os clientes entram e saem, fazem os seus pedidos, sentam-se nas mesas, falam e fumam. Os empregados, um casal que de vez em quando tem os filhos a ajudar, limpam as mesas, tiram cafés, fazem sandes. A senhora, que nunca me lembro do nome, faz sempre conversa comigo, principalmente por achar que cada vez que lá vou levo um livro diferente.
O marido dela, o senhor Ricardo, é de poucas palavras. Cumprimenta-me, dá-me o que pedi, e vai almoçar. Normalmente come de boca aberta, e sem grandes maneiras. Por isso fixo o meu olhar bem no meu livro.
Uma vez apanhei uma daquelas velhotas simpáticas que querem conversa, o problema foi querer falar comigo de politica, tema em que sou leiga. Chegou ao cumulo de estar a gritar que ia dar um tiro no nosso suposto Presidente Cavaco. E eu? Bem eu, acenava que sim, estava muito bem. Depois ia visitá-la à prisão e iria ter um menção honrosa por tal acto de bravura.

O meu vizinho do prédio ao lado também costuma lá estar um bom bocado com uns amigos, é verdade que tanto ele como as suas companhias não têm o melhor aspecto, e não digo isto por parecerem sujos ou mal vestidos, não. Andam sempre com um ar sério, com uma carranca carregada e uma pose de que quem manda são eles. Essa atitude, normalmente, faz com que mude de passeio. Neste caso, houve um dia em que ele estava com umas dificuldades na bicicleta, e como se encontrava sozinho decidi ajudá-lo. Adoro andar de bicicleta, e muitas vezes tive que parar para voltar a prender a correia - era esse o problema dele.
Desde aí que o rapaz passa por mim com uma ar mais descontraído e acena-me sempre em jeito de cumprimento.

O café não é visualmente bonito, nem por fora nem por dentro.
As pessoas podem não ser as mais bonitas/simpáticas, e o não é, de todo, um espaço calmo e sem barulho, mas sinto-me bem lá, num cantinho a ler os meus livros enquanto a vida de tantos outros passa por ali. Uns mais atarefados que outros.
E uns, como eu, sem nada para fazer...

6 comentários:

POC disse...

Nice, bom texto, os sentimentos são uma antítese de uns para os outros: tranquilidade/confusão.

Sufocada disse...

Antítese, right there!
Obrigado POC :)

Uma Rapariga Simples disse...

Vês como um gesto de gentileza faz muito pelas relações humanas?

Ui, precisas de vir ler para o café da minha terra. Ias adorar! :D

Sufocada disse...

Porque? :p

Ps. mas havia dúvidas? Eu sou gentil.

Uma Rapariga Simples disse...

Aquilo é muito bem frequentado... upa upa

Nenhumas, embora tenham ficado mais confirmadas as certezas. ;)

Sufocada disse...

Ahaha, imagino.
Em vez de ler estaria a escrever relatos insólitos :P