sábado, 22 de setembro de 2012

A verdade no Jardim de Oeiras

A noite estava fria, o seu corpo pedia para ser abraçado e acarinhado enquanto se aqueciam um ao outro.
Ela pegou-lhe na mão e encaminhou-se para a entrada do parque, passaram por baixo do arco feito de ferros, e percorreram a estrada estreita durante uns momentos até se encontrarem num espaço saído dos tempos medievais. Os muros que os ladeavam eram formados pelo encaixe de várias pedras, enegrecidas pelo tempo, presas entre si pelos ramos e galhos das plantas que cresciam à sua volta. O silêncio que os rodeava era apenas quebrado pelos seus passos hesitantes em direcção ao interior daquela pequena estufa.
Subitamente ele puxa-a pelo braço e encosta-a de encontro a parede e fixa-a olhos nos olhos.

Ambos sabiam que aquela seria a primeira e única vez que poderiam estar juntos. O desejo que os consumia já vinha de há um tempo atrás, e rapidamente escalava para um nível insuportável.
Depois de alguns dias a falarem, a torturarem-se com o desejo reprimido e inexplicável que ambos sentiam um pelo outro, ela não aguentou mais e  decidiu que havia de se deixar levar por uma, e apenas um noite de
loucura.

De estatura mediana e bem constituído, ele tinha o cabelo escuro e raso e uns olhos meio-rasgados de um castanho intenso. Mas não tinha sido a parte física que a tinha atraído, com o seu charme brincalhão, a sua intensidade na escrita que transmitia os sentimentos que por ela nutria e a sua sensatez, ele tinha-a enredado numa teia tão estreita e sensual que ela mal conseguia passar um dia sem pensar nele e em estar com ele.

Já afogueados e trémulos de desejo, ambos se possuíram loucamente, como se o mundo fosse acabar.
De corpo e alma, ele quebrou-lhe o espírito antes selvagem, domando-a à sua vontade e fundindo-se na loucura que era aquela mulher.

Quando ambos já se encontravam exaustos e satisfeitos, ele olhou de novo para os seus olhos esverdeados que figuravam num rosto sardento e emoldurado por um corte de cabelo invulgar de um castanho claro. Alta, para mulher, ela olhava-o nos olhos sem ter que levantar o queixo.
Perdidos nos olhos um do outro, ambos souberam que aquela não podia ser a última vez que desfrutavam dos seus corpos, daquele calor intenso e do carinho que já se aninhava nos seus corações, sabiam que se dissessem que nunca mais se poderiam ver, nem falar, estariam a mentir.

8 comentários:

Uma Rapariga Simples disse...

Hummm...

Sufocada disse...

oh boy, esses "hum" pensativos dão-me ansiedade :P

Uma Rapariga Simples disse...

Este é o humm de quem não pode falar. ;)

Sufocada disse...

Mas porque é que eu te subestimo?
DAMN! :P

Uma Rapariga Simples disse...

Ai tu fazes isso? Tz tz... já devias ter desistido. ;)

Sufocada disse...

Inconscientemente, fiz :D
Não se volta a repetir!

Uma Rapariga Simples disse...

Precisamos de conversar à volta de 'Autopsicografia'. ;)

Sufocada disse...

Ahahah, sim senhora professora :P