terça-feira, 26 de junho de 2012

Horror Moments - Casa Assombrada III

Quando finalmente voltou a abrir os olhos sentiu uma aperto no peito, o sol já se mostrava baixo e alaranjado, tinha faltado ao almoço e deviam andar todos preocupados à procura dela. Quando chegasse a casa esperava levar uma forte reprimenda, mas o tempo que tinha passado ali tinha valido bem a pena.

Levantando-se sacudiu as folhas que ficaram presas às costas da sua saia e do top, depois de passar também as mãos pelo cabelo para o alisar olhou em volta da clareira com um ligeiro pânico.
Parecia-lhe tudo igual, qualquer caminho que tomasse, qualquer direcção que seguisse... Não sabia como voltar para casa, a única coisa de que se lembrava era de um pequeno banco de pedra escurecido e coberto de heras e folhas que se encontrava a meio do caminho, se encontrasse esse banco saberia que estava no caminho certo.

Pensou, tentou concentrar-se e lembrar-se porque lado havia entrado na clareira mas as memórias eram algo difusas depois de ter estado a dormitar, e não ajudava que o tempo começasse a escurecer.
Decidiu que iria pela direita, caminharia alguns passos e se não visse o banco voltava à clareira para tomar outra direcção.

Passaram-se 15 minutos e o banco não aparecia, o céu estava cada vez mais escuro e olhando para trás já não tinha a certeza de que iria conseguir voltar para a clareira, nem sabia se isso seria boa ideia. Com as pernas ligeiramente bambas do medo de se ter perdido para sempre, continuo a andar na mesma direcção que tinha tomado, talvez se não parasse de andar chegasse a uma estrada ou a outra casa, o bosque teria de terminar em algum lado certo?

Depois de mais algum tempo a caminhar, já andava de braços estendidos e com as mãos a tactear tal era a escuridão que se tinha abatido sobre o bosque, nem com a luz da lua podia contar, as árvores eram demasiadas e muito densas. Nesta altura já sentia um medo verdadeiro, as lágrimas acumulavam-se brilhantes e ansiosas por brotar dos seus olhos, a respiração era agitada lançando pequenas nuvens irregulares para o ar, o estomâgo contorcia-se e as mãos que iam no ar tremiam-lhe como uma intensidade que a fazia parecer maluca.

Tropeçou num tronco que estava no caminho e sem forças para se manter de pé caiu de joelhos, desamparada, aí não se conteve mais, levando as mãos ao rosto soluçou fortemente deixando as lágrimas gordas escorrerem-lhe pelas faces, todo o seu corpo sofria espasmos descontrolados. Sentia frio e o seu estomâgo roncava de vez em quando, dando sinais de fome, estava perdida num bosque sozinha e à noite... Estava completamente aterrorizada com a possibilidade de nunca mais conseguir voltar à casa.

Quando se conseguiu compôr reparou que à sua esquerda algo brilhava,  limpado freneticamente as lágrimas da cara para conseguir ver melhor pôs-se de pé e fixou aquele brilho. O que podia ser? As árvores não deixavam a luz da lua passar através das folhas, tinha visto nos livros que os pirilampos brilhavam à noite, mas aquilo parecia demasiado grande.

De modo receoso mas com a curiosidade a alcançar o pico na sua mente, encaminhou-se com passos lentos para a fonte daquele brilho, quando se encontrava a uns 100 metros do brilho começou a reparar nos contornos da figura que brilhava, era ele, e estava sentado no banco de pedra que se lembrava, com a escuridão que estava naquele bosque tinha sido impossível dar com o banco se não fosse por ele. Estava de cabeça baixa e por isso não lhe conseguia ver as feições, mas tal como ela pensava parecia alto, e aquele brilho dava-lhe um aspecto belo, quase angélico.

Levou as mãos aos olhos para os esfregar, com medo de estar a alucinar com os nervos de estar perdida e quando abriu de novo os olhos ele já tinha desaparecido, frustrada deu um grito agonizante que ecoou pelo bosque inteiro, ouviram-se asas de pássaros a bater rapidamente para se afastarem.
Ele tinha-a salvo, sentia-se grata pela sua ajuda, mas ao mesmo tempo estava furiosa por ele estar sempre a escapar-se. Não conseguia perceber o que é que ele podia ser, de noite parecia humano, de dia tinha uma transparência que fazia com que a luz lhe atravessasse o corpo e de noite brilhava qual holofote. Nunca tinha lido sobre alguém com estas caracteristicas, será que tinha uma doença rara?
Abanou a cabeça para clarear as ideias, tinha de voltar para casa e não de se distrair com aquele estranho que parecia que a queria ajudar mas que não se deixava conhecer.

Encaminhou-se na direcção do banco, e com uma nova sensação de segurança e alivio percorreu o caminho que sabia, não, tinha a certeza, iria dar ao alpendre da mansão...


8 comentários:

Uma Rapariga Simples disse...

Fecha-os na cave!

É o meu conselho. ;)

Sufocada disse...

Ai!
O que tu queres sei eu :P

Uma Rapariga Simples disse...

ahahaha
Sim, sim, mas prefiro ser personagem principal a mera espectadora. XD

Sufocada disse...

Chama-lhe parva ahah :D

Uma Rapariga Simples disse...

Nadinha! ahahah

POC disse...

Muito bom.
E ficou mais suave de ler com o aumento de parágrafos e espaçamentos.

Sufocada disse...

Ainda bem que melhorei a sua leitura POC :)

Gracie!

Xs disse...

Só quando chegar ao fim é que saberá onde vai dar....