quinta-feira, 14 de junho de 2012

E eu que sou pouco comichosa...

comichosa escreve-se assim?

Vamos nós começar a nossa última aula, já o último fôlego para aguentar aquele tédio gigantone e entra a professora Mª E. que se dirige a nós : " Hoje tenho um programa diferente, como o vosso trabalho tem que passar pela evolução tecnológica e vantagens e desvantagens disso, vamos ver um documentário".
Eu, já com a cabeça feita em papa, com uma fome de cão e com pestanão de todo o tamanho com sono, pensei... " Descanso os olhos um bocadinho".
Claro que não foi possível, o documentário tratava de mostrar Portugal à 40 anos atrás em comparação com a actualidade (naquele caso em 2007, ano em que foi realizado), e a primeira imagem que me aparece é uma mulher com buço e a dizer: " De manhã era pão e vinho (vulgo sopas de cavalo cansado), ao almoço era couve, pão e vinho, ao jantar era batata, pão e vinho, e antes de me deitar mamava um copinho de vinho", portanto naquela altura podia não haver dinheiro para muita coisa, mas vinho não faltava, era aliás a base da alimentação, inclusive das crianças, que através do vinho ganhavam calorias... bem... nisto passamos para o sistema de saúde de antigamente, que era...nulo e para o de agora, e como exemplo deram uma mulher a parir, e era só ouvi-la: " Ai ai ai fu fu ai ai, oh filha sai filha, ai ai fu fu..." alguns 4/5 minutos disto e depois vê-se o bebé a nascer, qual cuspidela e a ser lançado para cima da mãe como se de um frango se tratasse.

Ora quem não sabe, a ideia de ter filhos, a mim passa-me um bocado (enorme) ao lado, pá não é algo que faça tenções de ter. Mas ver aquilo, ver aquilo deixou-me mais incomodada ainda com a situação. E portanto podemos culpar a professora Mª E. se eu nunca tiver filhos!

O documentário acaba num intenso e dramático tema da solidão nos idosos e em como as novas gerações estão-se real cagando para os seus velhos, velhos esses que antigamente era respeitados, acarinhados e vistos como sábios e com experiência, e que agora são vistos como inúteis e fardos para as suas famílias. Esse é um tema que me assusta um pouco, não a parte de envelhecer, mas a solidão inerente a essa condição e por isso fiquei com um ligeiro trauma depois do documentário, não que não tivesse tal noção, mas visto e provado tem mais impacto sobre uma pessoa.
No entando eu ou morro cedo, ou vou ser daquelas velhas que aos 80 está a aí para as curvas como muitos de 20 não estão!

Isto tudo para dizer que não dormi, foram 90 minutos de documentário em ambiente de lusco-fusco com a luz apagada e eu estive de olhos postos, o tempo inteiro, na parede onde estava a ser projectado o vídeo.

EDIT: Para os interessados no Documentário

13 comentários:

Uma Rapariga Simples disse...

Escreve, porque comichosa vem de comichão.

Agora, essa coisa de não quereres procriar é muito bonita até ao dia em que te aparece alguém que te faz vontade de inchar que nem um balão.

Sim, a imagem é bonita e ternurenta e coiso, mas é verdade.

Depois passa. Ou não, depende de se ter alcançado ou não o objetivo.

Mas isto sou eu e eu não sou de fiar, porque a primeira coisa que eu me lembro de querer ser, isto por volta dos 3 anos, era ser mãe. Como vês, life is a bitch e acho que é a única coisa que não vai acontecer.

Vai daí, relaxa, diverte-te e não te preocupes com isso. Lembra-te só, se entrou, vai ter de sair por algum lado, mais não seja à força. ;)

trollofthenorth disse...

No meio disto tudo, gabo a certeza da mãe que já tinha certeza de que o nado era uma menina.
Mãe sabe. -_-

Mas aquelas onomatopeias ali em cima também podiam ser de um porno manhoso.

Sufocada disse...

Uma Rapariga Simples, Eu nunca digo nunca, mas para já ainda ninguém me fez querer andar ai inchada e com enjoos e o diabo a sete!
Ah e a última frase é também bastante encorajadora ahah :D

Troll, Deve ser aquela coisa do sexto sentido ou assim, mas que ela gritava desmensuradamente pela filha gritava.

E sim podia ser um porno manhoso, não fosse eu estar a ver o nado a nadar para fora da senhora e podia não ter acreditado que estava a ver um parto!

Uma Rapariga Simples disse...

Eu sei, sou ótima a dar reforço positivo. lol

Sufocada disse...

Temos que ser uns para os outros :P

POC disse...

Já dediquei algum tempo a meditar neste assunto.
Espero um dia ter filhos, educados, e que amem os pais, incondicionalmente.

Xs disse...

Gostava de ver esse documentário!

Sufocada disse...

POC, para os ter, também preferia que fossem educados e dessem valor aquilo que eu mãe (e o pai claro) sou e fiz por eles, sem que sintam que é uma obrigação.

Xs, está aqui o link:
http://www.youtube.com/watch?v=mZNdGlTn9XA ;)

Uma Rapariga Simples disse...

Sou mesmo totó!!!

Eu tenho este documentário, com a fantástica banda sonora do Rodrigo Leão. Acho que não há uma música daquele documentário que não goste.
E deu um livro de fotografias, também.

Este é definitivamente um dos meus trios de excessão.

Uma Rapariga Simples disse...

Ah, claro, esqueci-me de dizer que tê-los custa bem menos do que fazê-los. Há momentos que parece que é igual, mas não é bem. lol

Não que eu já tenha parido, mas a minha mãe teve 4 e explicou tim-tim por tim-tim como foi.

Sufocada disse...

É isso mesmo, eu lembro-me de a professora Mª E. ter dito que a música do inicio era desse senhor.
E este é só o primeiro episódio pois pelo que andei a ver são 7 ao todo.

Eu não consigo associar o momento de os fazer ao de os ter, principalemnte pelo que já vi de partos (não sei porque mas já não é o primeiro que vejo, e já vi um em que camara estava apontada para o SPOT lol)

Uma Rapariga Simples disse...

Isso lembra-me que eu nunca vou filmar nem um momento nem o outro. lol

Há lá coisa pior que uma pessoa estar aflita para deitar cá para fora um rolo de carne com não sei quantos quilos e andar um parvo (se for o pai, ainda se brinda com outros nomes) a filmar? Nahhh... não gosto dessas coisas.

Sufocada disse...

Também não faço tenções de filmar coisa alguma do meu possivel parto!

Claro, temo um frango prestes a sair de nós e temos que estar a ser filmadas, para mais tarde rirem-se do monstro que habita em nós nessas alturas, nem pensar :P